terça-feira, 15 de março de 2011

Tempo sem...


O tempo está sem tempo
Vive correndo e nunca pode esperar.
Nós vivemos atrás dele
Querendo ver a face que não tem.
Não conhecemos seu riso
Quando nos angustiamos
Por não podermos controlá-lo,
Ou seu pranto quando conseguimos vencê-lo
E o tornamos mais insignificante.
O tempo consome o tempo
E de tempos em tempos ele se perde e acha,
É onde tudo começa e se acaba.
O vemos escorrer por entre os dedos de nossas mãos
E cair por terra até ser plantado,
Para que se torne fruto
E assim nos alimentemos cada vez mais
Desse alimento que impulsiona a vida.
Mas às vezes é melhor morrer
A saber que quando mais precisamos dele
Ele não se acaba.
Outras é que o tempo fosse mais abundante
Quando nos falta o próprio tempo.

Trocaram os homens!


O homem hoje vale apenas uns trocados,
Como aquelas moedas que são dadas
Nos bares de todas as esquinas.
Todos os homens são trocáveis,
Barganhados por um gole de pinga
Ou um trago de cigarro.
Vendidos em feira livre a preço de nada,
Tornaram-se escravos do próprio vício.
Por isso perderam o visco,
A suavidade, a vida.
Transfomaram-se em homens supérfluos,
Desprezíveis, banais.
Homens-trocados, objetos de troca,
São homens e eu tenho pena deles
Por serem homens.

terça-feira, 28 de abril de 2009

As mãos que aqui escrevem, movimentam-se pelos punhos,
que se supõe rasqunhos, rabiscos de letras,
Tem ela vozes que falam (mãos),
ouvidos que escutam ( punhos),
rabiscos, rascunhos, rabiscunhos,
tudo nos punhos,
ponho,
pus, ferida,
rasqunhos pelos punhos,
punhos pelas mãos,
na rabeira vai as letras,
desenhada no papel,
que pus / ponho, sonho,
sentado na cadeira,
O punho ouve, a mão fala,
o que sai? rasqunhos,
Não tem volta, agora escreve,
rabisca, rascunha, cunha,cunho
nasceu,
rasqunhos em punhos.

Ao maior fazedor de parto, com a benção do pai, do filho e do Espírito Santo.
Amem.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Geraes de Minas

Invenções, contruções, desconstruções. A vida não é como ela é! A vida se inventa! Ela própria tem um algo tão incrivelmente inquietante que é capaz de construir e se descontruir sem que pecebamos todo mistério que ela reserva! Pois lembro de um texto de Hélio Pelegrino que ele dizia que todo dia há barba por se fazer e há vida por viver! A porta está aberta, entremos pois e assentemos. A prosa, a poesia, o conto, a fábula, vai longe! Sejam todos bem vindos!

Sobre o amor e suas jurisdições

Amor é coisa de pele. É hipodêrmico. É substancioso. É profundo. Não é superficial. A sensação de calor ou frio que se sente no amor começa nas entranhas da pele. É uma rebeldia das sinapses nervosas. É um desmoronamento interno dos orgãos. É um rebuliço fisiológico. Uma baderna de funções vitais. Olhos, falam. Bocas, escutam. Ouvidos, veem. Distancia-se da razão. O lobo frontal pára por um minuto e dá lugar aos instintos mais escondidos. É tudo cheio de sustância. É estomacal. É fome de alimento-amor. É renal. É sede de água-amor. É coronário. É pulsão-amor. É uma porção de amor. É pulmonar. É respirar-amor. É cerebral. É pensar-amor. É sangue. É escarlate-amor. É adrenalina. É escalarte-amor. É boca. É gritar-amor. É ouvido. É não olvidar-amor. É olho. É ver-amor. É mão. É agarrar-amor. É nariza. É cheirar-amor. É bilingue. É linguajar-amor. É braço. É enroscar-amor. É visceral. É trançar-amor. É dedo. É tocar-amor. É unha. É arranhar-amor. É líquido. É escorrer-amor. É sólido. É durar-amor. É carnal. É carnaval-amor. É dente. É morder-amor. É saliva. É molhar-amor. É lábio. É lambuzar-amor. É costa. É encostar-amor. É perna. É estremecer-amor. É pé. É peninsular-amor. É osso. É ostentar-amor. É articulação. É juntar-amor. É cíngulo. É singular-amor. É toráx. É ilimitar-amor. É escápula. É colar-amor. É onírico. É imaginar-amor. É fantasia. É vestir-amor. É pêlo. É pelo-amor. É cavidade. É cavar-amor. É verbo. É iniciar-amor. É fonema. É soar-amor. É hipercalórico. É saciar-amor. É energia. É vontade-amor. É fitar. É fixar-amor. É venal. É carregar-amor. É fluxo. É caminhar-amor. É célula. É transportar-amor. É cartilagem. É sustentar-amor. É síncope. É delirar-amor. É úvula. É palavra-amor. É romã-amor. É Roma-amor. É amor-amor.