terça-feira, 15 de março de 2011

Tempo sem...


O tempo está sem tempo
Vive correndo e nunca pode esperar.
Nós vivemos atrás dele
Querendo ver a face que não tem.
Não conhecemos seu riso
Quando nos angustiamos
Por não podermos controlá-lo,
Ou seu pranto quando conseguimos vencê-lo
E o tornamos mais insignificante.
O tempo consome o tempo
E de tempos em tempos ele se perde e acha,
É onde tudo começa e se acaba.
O vemos escorrer por entre os dedos de nossas mãos
E cair por terra até ser plantado,
Para que se torne fruto
E assim nos alimentemos cada vez mais
Desse alimento que impulsiona a vida.
Mas às vezes é melhor morrer
A saber que quando mais precisamos dele
Ele não se acaba.
Outras é que o tempo fosse mais abundante
Quando nos falta o próprio tempo.

Trocaram os homens!


O homem hoje vale apenas uns trocados,
Como aquelas moedas que são dadas
Nos bares de todas as esquinas.
Todos os homens são trocáveis,
Barganhados por um gole de pinga
Ou um trago de cigarro.
Vendidos em feira livre a preço de nada,
Tornaram-se escravos do próprio vício.
Por isso perderam o visco,
A suavidade, a vida.
Transfomaram-se em homens supérfluos,
Desprezíveis, banais.
Homens-trocados, objetos de troca,
São homens e eu tenho pena deles
Por serem homens.